Cultne registrou em 26 de Janeiro de 2012.com imagens e dição de Filó Filho e de Alexandre Dias um encontro histórico com os mestres do Samba carioca no Renascença Clube. Lá estiveram o pesquisador e radialista Rubem Confete, o radalista e produtor musical Adelzon Alves, o ator e produtor cultural Jorge Coutinho, David (Araújo) Pandeiro da Velha Guarda da Portela, a pesquisadora e Professora Lygia Santos, filha de Donga, o produtor discográfico Waldomiro João de Oliveira, o produtor musical Meco, irmão de Zeca Pagodinho e o compositor Moacyr Luz. Na oportunidade o radialista Adelzon Alves falou ao Cultne sobre o sanba de todos os tempos.
O Renascença clube sempre forjando a resistência cultura da comunidae negra apresentou este projeto a partir do seu Departamento Cultural que tem a frente a Dra. Nanci Rosa.
Palco das transformações sociais da comunidade negra, o Renascença Clube foi fundado por negros de diversas camadas sociais e profissionais, como advogados e engenheiros, aposentados e donas de casa que resolveram dar um basta na discriminação que sofriam ao tentarem viver socialmente em ambientes onde negros não eram bem recebidos.
Estamos falando do início dos anos 50, quando um grupo de negros foram impedidos de ingressar em uma festa de um famoso clube carioca, onde a freqüência era exclusivamente de associados brancos da classe média do Rio de Janeiro. Tal fato motivou a criação do Renascença Clube por um grupo de famílias lideradas pelo advogado Oscar de Paula Assis e Jandira de Paula Assis o comerciante Domingos Soares e Idalina de Jesus Soares os irmãos médicos Humberto Gomes de Oliveira e Diva Santos de Oliveira e Enedina Rodrigues da Silva em 17 de fevereiro de 1951 no bairro do Méier, zona norte da cidade do Rio de Janeiro. O objetivo era fundar um clube próprio onde eles e seus semelhantes pudessem transitar livremente.
Nos seus 60 anos de existência, o Rena, como é conhecido publicamente, do ponto de vista cultural, sempre se caracterizou como uma agremiação de vanguarda, tendo revelado inúmeras personalidades artísticas afrobrasileiras, entre outros campos de atuação. Em sua fase inicial, o clube concentrou-se em torno de atividades voltadas para os associados e suas famílias. Em meados de 1958, o clube transferiu-se para o bairro do Andaraí, também zona norte da cidade. Na nova sede, onde se encontra até os dias atuais, o Renascença alcançaria projeção nacional e internacional com a participação de suas representantes nos concursos de beleza.
O início dessa trajetória tem o seu início no ano de 1959, com Dirce Machado sendo a primeira representante do Renascença Clube a se apresentar como miss no ginásio Gilberto Cardoso, o Maracanãzinho. A partir deste momento, pela importância e repercussão provocados nestes eventos, em todos os concursos, a agremiação apresentava uma candidata com a finalidade de valorizar a mulher negra e propagar os ideários do clube (SILVA, 2000). Em 1963, Aizita Nascimento ganhou expressão não apenas entre a platéia do Maracanãzinho, mas também, na mídia como modelo e a seguir como atriz. Dentre as modelos, o nome com maior ressonância é o de Vera Lúcia Couto, eleita Miss Guanabara em 1964 e, no mesmo ano, conseguiu o 2º lugar no Miss Brasil, o que lhe permitiu concorrer ao Miss Beleza Internacional, em Long Beach, nos Estados Unidos. Os prêmios e as surpresas foram se acumulando com o titulo de Miss Fotogenia, conferido pelos fotógrafos de diversos países do mundo e, sua classificação inicial como uma das semifinalistas até ser agraciada com o 3º lugar no referido concurso. Na realidade, Vera Lúcia Couto dos Santos foi a primeira negra a quebrar o tabu ao se classificar em um certame de internacional de beleza. Ao regressar ao país, entre a consagração nas capas e comando de programas de televisão, ganhou algumas músicas que a inscreveram, definitivamente, no cenário do cancioneiro popular. Com "Mulata Yê, Yê, Yê", o compositor João Roberto Kelly, filho do ex ministro da Educação, Celso Kelly, proclamaria: "mulata bossa nova/ caiu no hully gully/ e só dá ela/ yê, yê, yê, yê, yê, yê, yê/ na passarela/ a boneca está/ cheia de fiu fius/ esnobando as louras e as morenas do Brasil (viu?)"
Várias diretorias desenvolveram as transformações ideológicas, ampliando o seu quadro social, até então restrito a poucos associados. Os grandes bailes sociais, como Baile da Primavera, do Havaí, do Sarong, Azul e Branco, e tantos outros, deram lugar gradativamente a uma visão inovadora se fez presente por meio dos departamentos social, feminino e cultural que se uniram para alterar o conceito do "clube das mulatas".