Dona Anicide Toledo - Batuque de Umbigada (COMPLETO) A Umbigada é uma dança que chegou ao o Brasil a partir do Século XVII, junto com os negros africanos, "trazidos" com escravos pelos Colonizadores portugueses. Nessa época, os portugueses aplicavam o termo batuque qualquer tipo de música percussiva ou dança praticada pela comunidade negra. A coreografia apresenta passos com nomes específicos: "visagens" ou "micagens", "peão parado" ou "corrupio", "garranchê", "vênia", "leva-e-traz" ou "cã-cã". Os passos são executados por pares soltos que, saindo em fileiras, circulam livremente pelo terreiro. Mas, o elemento principal da coreografia é a "umbigada", ou seja, quando o ventre da mulher bate à altura do ventre do homem. Os dançadores dão passos laterais arrastados, depois levantam os braços e, batendo palmas acima da cabeça, inclinam o corpo para trás e dão vigorosas batidas com os ventres. Esse gesto é repetido ao fim de todos os passos. No batuque não há batidas de pés e um batuqueiro não dança sempre com a mesma batuqueira. Segundo a tradição, Após três umbigadas ele deve dançar com outra. Os batuqueiros primeiramente dão três umbigadas, e voltam aos seus lugares primitivos, depois são as mulheres que vão até os homens para dar umbigadas. Um ponto ou "moda" é cantado e dançado durante 10 a 20 minutos. Como é uma dança ritual de procriação, tradicionalmente não é permitido que o pai dance com a filha. Também não é aconselhável se dançar: - pai com filha, padrinho com afilhada, compadre com comadre, madrinha com afilhado, avó com neto ou batuqueiro jovem. Se, por descuido, um batuqueiro bate uma umbigada na afilhada, essa lhe diz: "Sua bênção padrinho!". Neste caso, o batuqueiro "parente" da as mãos alternadamente para a parente, até perto da fileira onde estão os batuqueiros, sem batucar. O encerramento ou último parte da dança é chamada de "leva-e-traz". O casal de batuqueiros evolui de uma fileira a outra (ida e volta) até a mudança de par. Um batuqueiro solista que também e chamado de "modista" faz "poesia" ou "décima". Outras vezes, cantando em determinada "linha", em dado momento quanto os demais começam a repetir aquela quadra ou "linhada dupla de versos". A fileira de dançadores homens é levado pelo "modista" até onde estão as mulheres. Essas aprendem logo a melodia e palavras. Quando "afirmam o ponto", ou seja, decoram, repetindo texto e música, o primeiro a dar umbigada é o "modista'. Os demais batuqueiros começam a dançar. Dão umbigadas sempre presos ao ritmo dos instrumentos de percussão que acompanha a cantoria: O tambu, Quinjengue e matraca que são tocados freneticamente. O Modista empunha um instrumento, espécie de chocalho chamado "Guaiá" que marca o ritmo das trovas.