O filme apresenta algumas ideias e situações da Frei Chico no interior do Estado de Minas Gerais. O filme foi realizado pelos pesquisadores Sérgio Bairon (Líder do CEDIPP - Centro de Comunicação Digital e Pesquisa Partilhada - ECA - USP - BR e Pesquisador do Diversitas/USP) e José da Silva Ribeiro (Universidade Aberta - PT) e faz parte das pesquisas Coroação de Reis Congo e Inter-culturalidade Afro-atlântica.
Em seu site Frei Chico afirma:
"Sou um franciscano holandês chegado ao Brasil em 1967. Quase direto, fui para o vale do Jequitinhonha, onde encontrei um montão de coisas que não conhecia. Pude vivenciar alimentos diferentes com farinha de mandioca, alho e pimenta, outras maneiras de fazer comércio, de curar a espinhela caída e quebranto, coisas que nunca tinha ouvido falar. Diferentes eram também o modo de rezar e de fazer amigos. Com tudo isso, decidi querer conhecer melhor esta realidade. Desde então, junto com a artesã Maria Lira Marques, de Araçuaí, anotei em 15 mil folhas parte da cultura dos pobres, das tradições orais daquela região. E, nesse trabalho, foi freqüente e intensivo o contato com a Irmandade N.S. do Rosário dos Homens Pretos da qual escrevi a história do primeiro centenário (1879-1979) publicada pela Imprensa Oficial com o título 'Rosário dos Homens Pretos'. Hoje sou irmão do rosário nesta irmandade.
Sei que da minha parte, estou no começo do princípio do início de algum conhecimento sobre o congado. Tenho estudado em livros, celebrado a Missa Conga nas mais diversas comunidades. Participei de muitas festas do Rosário, de São Benedito, de Santa Efigênia, de 13 de maio, de 20 de novembro, sempre encontrando coisas novas. Por isso, chego à conclusão que devo estar sabendo quase nada, principalmente do essencial que é a vivência da fé em N. S. do Rosário pelos congadeiros que admiro e sobre o qual vou tentar falar com muito respeito. Ao iniciar uma missa festiva com a participação de reinado e congadeiros, digo assim: 'Companheiros de palma nós vamos brincar./ A Senhora do Rosário mandou me chamá./ Licença Senhor Rei, licença Senhora Rainha, licença capitão, licença os tamborzeiros, licença ao povo todo./ Chorou, chorou, chorou, êêê..' É o que cantam os tamborzeiros quando chegam à festa, em Araçuaí, no mês de outubro. E, hoje também, peço licença para falar do assunto: origens e identidade do congado."
http://www.religiosidadepopular.uaivip.com.br/congadorigem.htm