Momento de Reflexão "O SOFRIMENTO REDENTOR" O Purgatório Caríssimos Irmãos e Irmãs: A Igreja chama Purgatório a esta purificação final dos eleitos. A doutrina dos Concílios de Florença e de Trento e a tradição da Igreja, com referência a certos textos da Sagrada Escritura (1Cor 3,15; 1Pe 1,7) FALA DE UM FOGO PURIFICADOR. (C.I.C.). Todos nós estamos habituados a considar o Purgatório como um lugar de sofrimentos corporais. Vamos tentar de compreender o que escreveu o Pe. Robert Clearon, S.J., sem negar a doutrina da Igreja, para tentar explicar em que consiste: "O Sofrimento Redentor" do Purgatório. "Depois da nossa morte, Deus continua a trabalhar na purificação das almas que Lhe pertencem. Tendo consciência de que atingiram um estado em que não podem mais ofender a Deus e seguras de chegar à eterna visão, as almas do Purgatório sentem certamente uma profunda alegria interior. Contudo, devem passar por um desenvolvimento progressivo, por uma purificação interior crescente. Será preferível insistir principalmente sobre a categoria interior deste sofrimento Redentor, mais que sobre a tortura imposta do exterior. (fogo, enxofre,monstros etc.). No Purgatório a alma está no estado de alguém que não amou com bastante pureza e cujo amor foi mais ou menos viciado pelas atracões menos dignas dele. A alma vai ser retida até que não tenha plenamente compreendido a imperfeição do seu amor, até que tenha aceite o castigo e procurado o remédio. Quando isto estiver realizado, ela será capaz, com o socorro de Deus que a espera, de concentrar todas as suas energias num acto de amor que, pela sua intensidade, a sua duração e o seu objecto, SERÁ O PRÓPRIO CÉU. O Purgatório representa a última necessidade da alma, que ama a Deus, na presença da pureza absoluta de Deus. Seja qual for a bondade do homem, quando ele se aproxima da Bondade Infinita, não pode senão compreender a sua própria indignidade que é imensa. Ora, a recordação do mal que fez, do bem que negligenciou fazer, realizado parcialmente ou sem pôr nele todo o coração, inspirar-lhe-ão desespero ou angústia se não estivesse assegurado o poder continuar a purificar-se na outra vida. Para a consciência cristã, o Purgatório significa que a Vontade do Senhor se estende até às profundidades mais íntimas do ser humano. Uma crise de crescimento é todavia necessária para tornar possível o progresso. O Purgatório representa esta possibilidade gratuitamente oferecida para um desenvolvimento interior: significa liberação, acabamento, realização. Mas a acção transformante da graça redentora de Cristo tinha encontrado nesta vida uma multidão de obstáculos, de dinamismos obscuros cuja potência se devia à cumplicidade, a meias consentidas de liberdade humana. De facto, em tudo o que é bom, o homem introduziu uma certa parte de egoísmo, que impediu, um pouco, o seu crescimento espiritual e ei-lo tentado a desesperar de atingir esta santidade e esta liberdade à qual são chamados os filhos de Deus. Muitas vezes, a vida nova dada pelo Baptismo foi simplesmente justaposta à vida natural que absorve as lutas pela segurança, pelo poderio e pelo orgulho. Uma mistura confusa de intenções mascara os motivos profundos dos actos, mesmo os bons. O homem apercebe-se que o progresso, tornado possível pela graça, não foi levado ao seu acabamento; não atingiu ainda a sua maturidade em Cristo. O seu espírito aspira ao saldo decisivo para a maturidade. Pertence ao Purgatório preparar nele este acabamento. ...